sexta-feira, julho 13, 2007



Durante anos, ele foi apresentado como o “próximo presidente dos Estados Unidos”, mas no meio de uma crise pessoal devastadora e uma derrota controversa na eleição de 2000, Al Gore fez uma coisa totalmente inesperada: caiu na estrada, não em busca de exílio, mas como showman. A sua “apresentação” é multimídia, sem envolvimento com nenhum partido, que revela através de uma combinação original de humor, desenhos e evidência científica convincente os efeitos ressonantes que o aquecimento global está causando no nosso planeta. É também um apelo interessante e inspirador, que aponta para a oportunidade de transformar a ingenuidade norte-americana em trabalho no ataque a essa crise. Gore já fez sua apresentação mais de mil vezes em auditórios de escolas e salas de conferência de hotéis em cidades grandes e pequenas, sempre com a finalidade de incitar o público a mudar o rumo daquilo que pode ser a maior catástrofe da história da humanidade. Duas pessoas que se envolveram com a apresentação de Gore são os conhecidos ativistas ambientais Laurie David e o produtor do filme Lawrence Bender ('Kill Bill'). Laurie David apresentou duas apresentações com lotação esgotada de Gore em Nova York e Los Angeles. Ela atesta: “Senti que Al Gore se transformou no nosso Paul Revere, viajando pelo país para fazer esse alerta vital que não podemos ignorar. Depois de pesquisar sobre o tema durante 40 anos, ninguém entende melhor desse assunto que Al Gore e ninguém pode explicá-lo com mais clareza e emoção para o cidadão comum. Mas ele teria que ficar na estrada os 365 dias do ano para alcançar todas as pessoas necessárias, e não havia tempo”.


Lawrence Bender lembra: “Quando vi a apresentação do Gore, logo percebi que serviria de base para um filme incrível. Estávamos convencidos de que a verdade emocionante que Gore apresentava tinha que ser experimentada numa escala bem maior”.

Inspirados a agir, David e Bender abordaram o amigo roteirista, diretor e veterano premiado do Clio de propaganda criativa, o produtor Scott Z. Burns, e também o produtor executivo Jeff Skoll, da Participant Productions ('Terra Fria'), especializada em criar filmes sobre questões sociais. Após uma apresentação de Gore, o grupo sentiu que estava na hora de dar o pontapé inicial na produção. Jeff Skoll observa: “Eu sempre achei que entendia bem do assunto porque havia estudado e lido sobre isso durante muitos anos, mas quando vi a apresentação do Al Gore mudei totalmente de opinião. Eu via isso como uma questão com desdobramentos para os próximos 20 ou 30 anos, e compreendi que a coisa é bem mais urgente. Temos talvez cinco ou dez anos para fazer algo significante. E como Gore tentava alertar cerca de 100 pessoas em cada uma de suas apresentações, sentimos que tínhamos de envolver muito mais gente, e o mais rápido possível”. Da mesma forma que Gore, os produtores sabiam que os perigos iminentes do aquecimento global transcendem a política. O produtor Scott Z. Burns comenta: “A Ciência, por definição, consegue estar livre da manipulação política. Gore não estava pedindo o nosso voto, mas a nossa atenção e o nosso desejo de fazer algo para mudar as coisas”.

Os produtores compreenderam que estavam se mobilizando para realizar uma produção bem incomum. Laurie David recorda: “Sabíamos que o que estava em jogo era o planeta. E só faltava convencermos o sr. Gore”. E esse grupo de produtores se viu numa reunião com o ex- vice-presidente dos EUA para convidá-lo a fazer o filme. Gore entendeu de imediato que enquanto levava sua mensagem para milhares de pessoas com sua apresentação, um filme poderia alcançar milhões de cabeças. “Essa crise climática global exige uma ação rápida, sábia e grande de nossa parte”, afirma Al Gore, que viu UMA VERDADE INCONVENIENTE como mais um passo para conseguir chamar a atenção do mundo para essa situação de extrema urgência. Assim, os cineastas recrutaram o diretor Davis Guggenheim (INTRIGAS) para dar um ritmo acelerado e um estilo intimista e de entretenimento ao filme. UMA VERDADE INCONVENIENTE era a chance de Davis Guggenheim retornar às suas raízes de documentarista enquanto contava uma história repleta de profundidade de sentimentos e muitas surpresas. Quanto mais ia aprendendo sobre a ciência por trás dos alertas de Gore, mais a história intrigava o diretor. “O sonho do cineasta é achar um assunto que o motive ao ponto de dizer: ‘Tenho que fazer esse filme!’, e essa história fez isso comigo. Senti que se nunca fizesse mais nada em minha vida além de dar vida à esta produção, já teria realizado bastante coisa”, diz ele.

À medida que a produção se desenvolvia, mais ficavam evidentes as preocupações iniciais, voltadas à forma como o público e a mídia iriam abordar um filme sobre dois assuntos controversos — Al Gore e o aquecimento global. Contudo, esses medos foram deixados de lado depois da elogiada e bem-recebida estréia do filme no Festival de Cinema de Sundance. O diretor Davis Guggenheim admite que no começo foi um tanto difícil deixar de chamar o “sr. vice presidente” de Al. “Mas quanto mais tempo passava com ele, mais passava a vê-lo como uma figura profundamente humana. Ele se tornou um homem engraçado, pensativo e fascinante, que por acaso também tinha um conhecimento extraordinário sobre o aquecimento global. Acabei montando uma história humana que guia todo o filme, baseada num personagem notável que, num momento traumático, fez uma escolha difícil, deixando todo o resto de lado para dedicar sua vida a uma questão que ninguém mais queria falar. Sou o tipo de diretor que adora emoções fortes e senti isso quando vi Al Gore tentando se reconstruir depois de 2000 e tentando salvar o mundo. Havia algo muito forte nisso”, relata Guggenheim.

Al Gore foi abrindo sua vida para Guggenheim, revelando as muitas formas surpreendentes e às vezes emocionantes em que sua vida pessoal se mesclou com sua forte crença na beleza, santidade e apoio emocional da Terra. O diretor dá ênfase a três eventos-chave na vida do ex-vice-presidente que ajudaram a moldar seu envolvimento com o meio ambiente: o acidente de carro que quase tirou a vida de seu filho caçula; a morte de sua irmã com câncer de pulmão, levando em consideração que sua família tem uma plantação de tabaco; e sua derrota na campanha presidencial de 2000 contra George W. Bush. “A possibilidade de perder um filho foi uma experiência muito dolorosa que me ensinou muitas lições. Por exemplo, nunca havia compreendido até então que um dos segredos da condição humana é que o sofrimento une as pessoas. Aprendi que quando os outros que experimentaram a dor que eu estava sentindo vinham até mim, acabávamos nos conectando, alma com alma, de uma forma transformadora e curadora. No final, percebi de uma forma totalmente nova a possibilidade de perdermos a nossa preciosa Terra (ou, pelo menos, sua receptividade em habitar os humanos) de uma forma que nunca havia percebido antes, nem emocionalmente, nem espiritualmente”, conta Al Gore. Quanto ao título original do filme, AN INCOVENIENT TRUTH, ele explica: “Algumas verdades são difíceis de ouvir porque, se você realmente as ouvir, e entender que elas são realmente verdade, então você tem que mudar. E mudar pode ser bem inconveniente”.


'Uma Verdade Inconveniente' chega aos cinemas nacionais dia 03 de Novembro.

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Fonte:UIP

Veja abaixo o filme

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